Small worlds
“There is something about the depth in a flat surface”
I don't know whose quote this is, not even when I read it, the truth is that I've kept it to myself. It makes sense when you look at the ground and start imagining little kingdoms, shapes and beings. If you know who the author of the quote is, please let me know.
Back to the ‘Land of Wind’ and its geology. There are days when the immensity of the sea or the grandeur of the cliffs are not enough. These are days when the landscape invites you to look down, when exploring what lies at your feet and discovering entire worlds in a small patch of ground is what makes sense.
The south-western Alentejo coast is a privileged stage for my discovery. Here, the landscape tells a story of intense geological violence. The rocks, mainly grauvaques and schists, are not simply deposited: they were brutally lifted, folded and fractured. What is visible today is simply the aftermath of all that energy: layers of schist twisted into folds, often tight, as if the stone had been crumpled by a giant hand.
When I photograph these “worlds of stone”, my exercise is one of abstraction, almost always avoiding documenting reality in a literal way. On the contrary, I seek to decontextualise, isolate a small area and strip it of its scale. A vein of white quartz running through the dark schist ceases to be a simple mineral inclusion and becomes something that varies according to the interpretation of the viewer. The fissures, opened by pressure and the passage of time, become deep valleys in some imaginary landscape. For me, the aesthetics of the image are fundamental: the rough textures, the contrast between the warm colours of the oxides and the greys of the rock, all contribute to a composition that always appeals more to emotion than to reason.
Neste tipo de fotografia, a intenção figurativa dissolve-se. Entro, como disse, no domínio da abstração, onde a imagem se liberta do seu referencial. Uma fotografia dos estratos rochosos dobrados pode ser, para quem a vê, as ondas petrificadas de um mar antigo, pelo menos para mim assim o são. Por outro lado, podem ser meros rabiscos de um quadro contemporâneo. Gosto de pensar que cada pessoa interpreta a imagem tendo por base as suas próprias experiências, e é precisamente essa ambiguidade que me fascina. Não existe uma interpretação correta, apenas uma reverberação pessoal.
"Há algo de profundo numa superfície plana.”
Não sei de quem é esta citação, nem mesmo quando a li. A verdade é que a guardei para mim. Faz sentido quando olhas para o chão e começas a imaginar pequenos reinos, formas e seres. Se souberem quem é o autor da citação, digam-me.
De volta à “Terra do Vento” e sua geologia. Há dias em que a imensidão do mar ou a grandiosidade das falésias não são suficientes. São dias em que a paisagem convida a baixar o olhar, em que explorar o que se encontra aos meus pés e descobrir mundos inteiros num palmo de chão é o que faz sentido.
A costa do Sudoeste Alentejano é um palco privilegiado para esta minha descoberta. Aqui, a paisagem conta uma história de uma violência geológica intensa. As rochas, principalmente os grauvaques e os xistos, não estão simplesmente depositadas: foram brutalmente erguidas, dobradas e fraturadas. O que hoje é visível é, simplesmente, o rescaldo de toda essa energia: camadas de xisto que se torcem em dobras, muitas vezes apertadas, como se a pedra tivesse sido amassada por uma mão gigante.
Quando fotografo estes "mundos de pedra", o meu exercício é de abstração, evitando quase sempre o de documentar a realidade de forma literal. Pelo contrário, procuro descontextualizar, isolar uma pequena área e despi-la da sua escala. Um veio de quartzo branco que atravessa o xisto escuro deixa de ser uma simples inclusão mineral para se transformar em algo que varia consoante a interpretação de quem o vê. As fissuras, abertas pela pressão e pelo passar do tempo, tornam-se vales profundos de uma qualquer paisagem imaginária. Para mim, a estética da imagem é fundamental, as texturas rugosas, o contraste entre as cores quentes dos óxidos e os cinzentos da rocha, tudo contribui para uma composição que apela sempre mais à emoção do que à razão.
Neste tipo de fotografia, a intenção figurativa dissolve-se. Entro, como disse, no domínio da abstração, onde a imagem se liberta do seu referencial. Uma fotografia dos estratos rochosos dobrados pode ser, para quem a vê, as ondas petrificadas de um mar antigo, pelo menos para mim assim o são. Por outro lado, podem ser meros rabiscos de um quadro contemporâneo. Gosto de pensar que cada pessoa interpreta a imagem tendo por base as suas próprias experiências, e é precisamente essa ambiguidade que me fascina. Não existe uma interpretação correta, apenas uma reverberação pessoal.